terça-feira, 29 de novembro de 2016


29/11/2016


"Por mais que eu seja emotivo - e sou bastante - evito escrever quando estou muito mexido. Costumo dizer que futebol é metáfora da vida e talvez por isso esse lance com a Chapecoense me deixa tão triste. Porque, por mais que torçamos pra Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, Santos e outros grandes times, na vida a gente é mesmo uma Chapecoense. A gente sonha, luta, batalha, joga fechadinho na defesa, aguenta pressão no trabalho, salva bola em cima da linha no último minuto e quer ser campeão de algo, vibrar com a felicidade, alçar vôos altos. A gente é Chapecoense na vida porque, por mais que algumas vezes queira e em outras se sinta impotente, está lá, sempre na peleja. Nem sempre com torcida a favor, às vezes com o estádio da vida lotado, tentando virar o jogo fora de casa, mas estamos lá, buscando nossa realização, nosso conto de fadas. A gente adotou a Chapecoense porque ela é gente da gente. Com essa queda, a gente vê como se importa com bobagem, como perde energia com coisas pequenas, inclusive por aqui. Como a gente se demora em questões que não geram amor. "Donde no puedas amar, no te demores". Já que vamos seguir na vida, é preciso ser mais Chapecoense. Se encontrar mais, sorrir mais, discordar quando for necessário, mas se respeitar mais. Cultivar os afetos, deixar os desafetos pra lá, nos livrar das âncoras e seguir com as velas. É preciso seguir, é preciso soprar. Vamo, vamo, Chape. Na metáfora dessa vida, jogo de futebol eterno, Chape somos nós."



Arthur Chrispin



http://espnfc.espn.uol.com.br/chapecoense/vamo-verdao/11902-o-que-a-chapecoense-fez-ontem-nao-tem-nome


domingo, 27 de novembro de 2016


Há destinos que são travessias: 
o meu, por exemplo:
 uma voz, de um silêncio a outro.



- Rui Nunes

sábado, 26 de novembro de 2016


Não creio ser um homem que saiba. 

Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim.

 Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir a si mesmos.




Hermann Hesse

sexta-feira, 25 de novembro de 2016


(…) há a noite da tua pergunta,

há a noite de não te responder,

há a noite do medo dos nomes que há para a noite,

há no interior desta noite a esperança de uma noite anônima, isto é, de um silêncio e de um escuro que não se voltam para nós como uma acusação,

há um silêncio que me interroga e há todas as respostas inúteis,

há a tua morte na saliva que ficou nos meus lábios,

há a tua voz que se afastou,

ouvir um som que desconheça lábios, o do lume, por exemplo, o desta lareira com o seu quebra-fogo,e pela casa uma vacilação que a sustém, e no extremo a ilumina, nós estamos deitados no soalho, a tarde desce pela vereda, com o mar recortado de trepadeiras, os coelhos pararam junto à sebe, de onde se ergue o vazio entre muros e troncos.

Estamos no medo, na paz do medo, com o sol a crescer para o poente (…)



- Rui Nunes

quinta-feira, 24 de novembro de 2016


pernoitas em mim 
e se por acaso te toco a memória… amas 
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos 
escuto o rumor da terra molhada 
a fala queimada das estrelas

é noite ainda 
o corpo ausente instala-se vagarosamente 
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras 
e nenhum lume irrompe para beberes




Al Berto

deixa, por favor, ao meu corpo
o direito absoluto aos teus vinte anos
ao primeiro beijo, ao primeiro cigarro
ao indeciso movimento dos teus dedos
desabotoando a minha blusa.



Alice Vieira

quarta-feira, 23 de novembro de 2016


...faz um tempo eu quis, fazer uma canção, pra você viver mais...



Pato Fú

terça-feira, 22 de novembro de 2016


Feliz aquele que administra sabiamente a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias 
(…)




Ruy Belo

(...)

e por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes por vezes

ah por vezes

num segundo se envolam tantos anos.





David Mourão-Ferreira

segunda-feira, 21 de novembro de 2016




Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.






Alberto Caeiro


Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.





Alberto Caeiro

domingo, 20 de novembro de 2016

(...)
Temos tudo o que necessitamos,
mas faltam-nos os brinquedos.

Temos saudades do otimismo
do coração de algodão das bonecas
(...)


Marin Sorescu

o corpo tem uma gramática feita de caos e de silêncios. 
amargos cálices que se partem em parágrafos ora lentos ora curvos agudos e de espólios em parêntesis que se dobram em verbos de vingança e em apelos aos mortos. 
são nervos e são maiúsculos. 
são segundos e são sintaxes na densa caligrafia de um xeque-mate à memória do tempo. 
o corpo é sempre o espelho. 
o ecrã tamanho de um dedo e uma espada prévia a ser agravo. 
antes que se feche a concha antecipo-te a pérola. concebido o oposto o convulso escreve-se exclamante em vez de virgula. 
honra seja feita à poalha dos pretextos. 
irrefragável. 
que por menos já se é destino.



Isabel Mendes Ferreira

É difícil abandonar de repente um longo amor...




Caio Catulo

Pode inventar-se verbos? 

Quero dizer-te um: Eu te céu.

Assim as minhas asas estendem-se, enormes, para amar-te sem medida…




Frida Kahlo

sábado, 19 de novembro de 2016


“Irreconhecível

me procuro lenta

nos teus escuros.

Como te chamas, breu?

Tempo.”




Hilda Hilst

Assim me deito sobre a ternura.




Albano Martins


**E a beijo!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016


No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. 
Havia algo delicioso de se sentir que escorregava de dentro da gente e se esparramava no sorriso. 
Escapulia no olhar. 
Cantava no silêncio. 
Fazia florescer pés de sol no tempo encantado em que estávamos juntos. 
Dispensava nomes e entendimentos. 
Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria. 
De vida abraçada.
 De chuva quando beija a aridez. 
De lua quando é cheia e o céu diz estrelas. 
Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom.



Ana Jácomo

quinta-feira, 17 de novembro de 2016


O momento das carícias voltou a entrar no quarto, pediu desculpa por ter-se demorado tanto lá fora,

 Não encontrava o caminho, justificou-se, e, de repente, como aos momentos algumas vezes acontece, tornou-se eterno.




José Saramago

"Sem o perdão nós somos selvagens".


"Sim, eu teria te amado... para sempre. 

Agora, vá."



Closer, Perto Demais. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016


E eu quero tudo.
E eu quero tudo.

Estou pra todas as paixões.
Quero as pernas.
Não rejeito os pelos. Imagino-os.

Estou para os lábios.
Quero os peitos.
Não deixo de pensar os seios. Sugo-os.

Estou para o ventre.
Quero a literatura.
Não vivo sem as Paixões e Amores proibidos. Vivo-os.

E eu quero tudo.
E sabe o que eu não quero?
Não quero não agarrar-te pelos ombros...
Não quero não olhar fundo nos teus olhos claros...
Não quero não ler a alma tua e beijar os lábios teus com a paixão e com medo de que o mundo acabasse antes disso.

E eu quero tudo.
Quero minha alma pervertida.
Quero ser vitimado pelo poliamor.
Quero meu coração compartilhado.
Quero amar sem arrependimentos por não amar.


{E eu quero tudo, gostosa.
A começar por um poema sem rima e sem nexo.
Eu quero ter um beijo roubado. Ou roubá-lo.
Gostosa (em todos os sentidos), eu quero tudo.}


De: Anônimo Encantado e Silva - em 14/11/2016


**Noite de super lua

segunda-feira, 14 de novembro de 2016


A prece não é um barulho que surpreende o ouvido. 

É um silêncio que penetra o coração.

.

.

Eliphas Levi

Como o tempo custa a passar quando a gente espera!
Principalmente quando venta.
Parece que o vento maneia o tempo.

.

.

Érico Veríssimo

Temos a mesma pele, descobri anos depois.

É isso que nos impele

a sermos um, sendo dois.

Amar é ter a mesma pele, o resto vem depois.

(E não falo da cor,

que é indiferente no amor).








Torquato da Luz

domingo, 13 de novembro de 2016


Boa noite. 

Eu vou com as aves. 




Eugénio de Andrade

"O sentimento do irreparável gelou-me de novo. 
E eu compreendi que não podia suportar a ideia de nunca mais escutar esse riso. 
Ele era, para mim, como uma flor no deserto.

Se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. 
Corremos o risco de chorar um pouco, quando nos deixamos cativar."




Antoine de Saint-Exupéry

sábado, 12 de novembro de 2016


Gruas no cais descarregam mercadorias 
e eu amo-te.

Homens isolados caminham nas avenidas 
e eu amo-te.

Silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas 
e eu amo-te.

Destruição contra o caos, destruição contra o caos, 
e eu amo-te.

Reflexos de corpos desfiguram-se nas montras 
e eu amo-te.

Envelhecem anos no esquecimento dos armazéns 
e eu amo-te.

Toda a cidade se destina à noite 
e eu amo-te.



José Luís Peixoto

sexta-feira, 11 de novembro de 2016


“Os milagres acontecem a cada segundo.
 Os melhores costumam ser discretos. 
Os grandes são secretos.”

.

,

José Eduardo Agualusa

quinta-feira, 10 de novembro de 2016


Eu gostava de poder dizer que entrei no teu corpo como um pássaro espreitando através de invisíveis ruínas e que o som da tua voz bastava para me salvar ...



Alice Vieira

quarta-feira, 9 de novembro de 2016



Estávamos em Julho, fechei o caderno contigo lá dentro,


nunca mais voltei a apaixonar-me.







Al Berto.

Meu pescoço se enruga.
Imagino que seja
de mover a cabeça
para observar a vida.
E se enrugam as mãos
cansadas dos seus gestos.
E as pálpebras
apertadas no sol.
Só da boca não sei
o sentido das rugas
se dos sorrisos tantos
ou de trancar os dentes
sobre caladas coisas.





Marina Colasanti

terça-feira, 8 de novembro de 2016


Não sei como entrar no teu bairro na tua vida,
a tua vida de puzzles e de palmeiras,
o teu bairro de lata e de armaduras.
Não sei como ir da minha vida à tua rua,
a tua rua cheia de perguntas,
a minha vida estranha sem respostas.
Mas chegarei.
Porque tu me chamas.



Belén Sánchez

segunda-feira, 7 de novembro de 2016


E a espera é não acontecer


E a saudade é tudo ser igual. 







Daniel Faria

Às vezes escondo-me no corpo e ninguém me vê. 


As pessoas falam comigo e não notam que eu não falo com elas. 


Posso até dizer algumas palavras, 
posso até exprimir-me num longo discurso, 
mas a verdade é que não falo com elas. 


Estou escondido algures no meio do meu corpo.







Gonçalo M. Tavares


**às vezes, sempre!!!!

sábado, 5 de novembro de 2016


Somos todos visitantes deste tempo, deste lugar.

Estamos só de passagem.

O nosso objetivo é observar, crescer, amar …

E depois vamos para casa.



Provérbio aborígene

quarta-feira, 2 de novembro de 2016


...e o teu rosto era tudo o que tinha.
 e o teu nome era tudo o que tinha.
 tu eras tudo.
 tudo. 
e tudo é agora
mais do que tudo...



José Luís Peixoto
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