domingo, 30 de março de 2014


O mundo não é assim tão complicado: 
levantas os olhos, baixas os olhos, esticas o braço e tocas; não esticas o braço, és tocado. 





Gonçalo M. Tavares

sábado, 29 de março de 2014


"Há coisas que não se perdoam

Um homem é a honra que ele tem ou não."


Hêrnani Carvalho

domingo, 23 de março de 2014


Não vale a pena falarmos, para quê, quanto mais falamos mais a gente se magoa um ao outro, fomo-nos distanciando tanto com o tempo, sinceramente nunca imaginei que isto acontecesse, não era assim ao princípio mas nunca é assim ao princípio. 

As coisas começam a correr mal devagarinho, não damos conta e nisto, de repente, tão longe um do outro, linguagens diferentes, falta de paciência, silêncios que magoam, frases a que não se responde, uma irritação surda, uma impaciência que se tenta disfarçar sem a conseguir disfarçar totalmente, um desconforto mudo mas presente, cada vez mais presente, uma espécie de enjôo, uma espécie de desgosto, o que faço aqui, o que fazes aqui, qual o motivo de continuarmos juntos se não faz sentido, qual o motivo de teimarmos ainda?




António Lobo Antunes

sábado, 22 de março de 2014


Dormes na minha insônia como o aroma entre os tendões da madeira fria.






Herberto Helder

quinta-feira, 20 de março de 2014


"Certo, hoje, compreendi: o que vai, se foi, não volta mais — pelo menos não como era. 
Compreendi que amores utópicos, que nunca terminam, existem somente em andarilhos bíblicos ou shakespereanos. 
Compreendi que amor nem sempre é aquilo que te envolve, que te prende, e que sim, ele pode te libertar. 
Compreendi que tudo que vai, volta, mas volta diferente, volta com um “q” a mais. 
Compreendi que, certas vezes, precisamos temer o que provém com facilidade; que precisamos descobrir o que cada “oi” e “adeus” significam. 
Compreendi que sou somente mais uma peça de Deus e que como todas as outras, eu falho. 
E por fim — mas não menos importante —, compreendi que tudo que peço olhando para o céu, é transbordado em mim: certas vezes por algum sentimento banalizado ou pela chuva do intenso inverno. 
A compreensão depende do nosso ponto de vista. 
Nós criamos os nossos próprios sonhos."



— Augusto Soares

quarta-feira, 19 de março de 2014


Fala comigo. diz-me coisas diferentes. 

Fala-me de coisas que me pareçam ontem. 

Ontem é que estávamos bem.


Valter Hugo Mãe,

sexta-feira, 7 de março de 2014


Toda mulher é uma viagem ao desconhecido. 
Igual poesia avessa ao verso e à trucagem,
Mulher é iniciação do dia, promessa, surpresa, 
miragem.
De nada adiantam mapas, guias, cenas ensaiadas ou pilhagens. 
Ser controverso, mulher é
Via de mão única, abismo, moagem. 
É também risco máximo, magia, caminho íngreme na paisagem. Simplificando: mulher é linguagem, palavra nova, imagem que anistia o ser, o vir a ser e outras bobagens.


Rubens Jardim

terça-feira, 4 de março de 2014


"E defendo-me da morte povoando de novos sonhos a vida."


in Mesa dos sonhos, Alexandre O'neill

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...  Quantas frases mal pronunciadas, sussurradas, cheias de uma pressa, de apelo e de fé elevei ...